Um anunnaki na história do Brasil

Do Brasil colonial aos campos sangrentos da Guerra do Paraguai.

Fevereiro,1689 – Rio de Janeiro – Brasil – Colônia de Portugal.

Nos dias que passavam em seu cativeiro mental, Lisbão usava a maior parte do tempo assistindo ao seu inimigo se relacionar com as pessoas de seu mundo, havia uma comunicação tranquila dele com todos. Percebera que a criatura maligna tinha acesso a todas as

suas memórias, pareceu-lhe lógico, já que possuíra seu corpo. Todo Esse pesadelo o fez lembrar de uma viagem ao continente africano, para venda de açúcar e tecidos, ouvira histórias de terror que contavam de espíritos malignos possuindo os corpos das pessoas, atacando seus familiares, vizinhos. Também ouviu histórias de espíritos benevolentes que possuíam os corpos dos homens e mulheres feiticeiros e sacerdotisas para promover a cura e dar conselhos sobre a convivência harmônica entre irmãos da tribo. No Brasil, havia o domínio da igreja católica no credo local, mas, a convivência era harmoniosa com outras vindo dos negros africanos, mouros espanhóis e outros tantos.

O Rio de Janeiro era uma Capitania da coroa portuguesa, com uma administração hierarquizada. As autoridades locais mantinham a ordem, cobravam os impostos devido a coroa portuguesa, representando ao rei de Portugal. Lisbão assistia seu dominador reunido com o governador-geral, o ouvidor, o tenente de sua guarda, e o comandante do destacamento do exército de sua majestade no Rio de Janeiro. O assunto era o julgamento de um senhor de engenho sonegador de impostos. O ouvidor dizia que possivelmente, seriam confiscados todos os seus bens, perderia seus privilégios como cidadão português residente na capitania. Discutiam que o Rei dependia dos impostos para financiar a administração e suas guerras, a sonegação era vista como crime grave e afronta contra a autoridade real. Dom Lisbão sempre procurava amenizar a situação de seus concidadãos. Reconhecia que a alta carga tributária, somada a corrupção dos servidores do rei, dificultava o comércio e a vida dos comerciantes. Apesar das rigorosas punições como multas, prisões, confisco de bens, e exílio. A sonegação era prática comum.

No entanto, seu algoz Shesh, defendia a punição de sonegadores com a aplicação máxima da lei, causando espanto aos seus pares que sempre o tiveram como moderador e defensor dos comerciantes do Rio de Janeiro.

Causa-me, deveras espanto, de ver vossa senhoria a defender a punição máxima a esse usineiro. A mim parecia que eras um defensor de moderação e atitudes benevolentes aos capitaneados, para manter a coroa recebendo seus impostos sem tanto esforço por parte da armada real. - O ouvidor exclamou sua estranheza quanto a posição de Dom Lisbão a sua frente. O forte sotaque português fez a criatura lembrar-se que deveria manter sua ferocidade contida diante das pessoas que se relacionavam com seu prisioneiro. O ser que ele habitava era pacifista, e reunira um grupo de amigos que evitavam a violência, violência tão prazerosa a ele.

Sim! Minhas desculpas, Ouvidor. Quis fazer um jogo de anedotas, pilhéria com vossa excelência! – Afirmou com uma risada, a entidade. Todos o acompanharam, rindo.

Sim! Fico a imaginar se seguíssemos a linha do castigo sem lei. Breve até os índios abandonariam as capitanias em terras de nosso rei! – Completou o comandante do destacamento militar. Antônio Gouvea Araújo, um homem grande, alto, de bigodes compridos, sua risada era

rouca e parecia que ele estava sufocando. O uniforme balançava aos movimentos de risadas e, suas medalhas refletiam o sol que entrava por uma janela da sala de Dom Lisbão. O Brasão Real dourado e suas medalhas se destacavam com o tecido vermelho da casaca do militar, os botões dourados davam um tom de extravagancia ao conjunto, as botas do enorme militar eram grandes, de aparência confortável, pretas combinavam com suas calças de um azul forte, aparentava tecido leve e solto sobre o corpo do militar, que se sentava na cadeira estofada, usando todo o espaço dela. Mesmo sentado, sua altura destacava-se naquele espaço amplo. Era agradável de ver aquele homem enorme rindo como criança.

Nosso Rei, Dom Pedro II, é certo que a nós exilaria por aqui mesmo. Nunca mais pisaríamos em solo português. – Completou o Ouvidor, rindo do comandante, mais que da piada.

É plausível que seja feito um levantamento de todas as contas, entreviste aos compradores, funcionários do engenho, escravos e libertos. Só Assim chegaremos a uma conclusão legal de como aplicar a lei sobre ele. – O ser maligno falava, adotando uma postura mais pacificadora, percebendo que isso agradara aos presentes. Haveria maiores oportunidades de violência contra esses malditos aprimorados. Pensara o maligno planejando extirpar os amigos de Dom Lisbão à sua frente. Mesmo o sorriso de Lisbão não conseguiu disfarçar este instante de ódio.

Mesmo que tenhamos que nos esforçar em conter qualquer irritação com traidores do Rei, é nossa obrigação manter a ordem fazer cumprir a lei e proteger os bens da coroa portuguesa. – O tenente da guarda e líder da guarnição colocada à disposição de Lisbão, falara rapidamente ao perceber o olhar de ódio, em seu chefe.

Passamos tempos difíceis em negociações além-mar, para vermos nosso Rei, Dom Pedro II em dificuldades financeiras aumentadas por sonegadores e corruptos que habitam a maioria das capitanias. – A criatura falava como que a justificar seu olhar de ódio.

Sim, compreendo sua revolta, Dom Lisbão. Faço minhas, as suas palavras. Estou ciente de sua luta e trabalho em defesa da coroa e, muito me orgulha tê-lo como amigo.

Reafirmo que passamos por maus momentos em nossa última viagem a Inglaterra. Foram dias de intensas negociações, o mar estava perigosamente repleto de navios piratas, fiquei doente, trancado a maior parte da viagem em minha cabine. Difícil não ficar irritado com a sonegação de impostos e desvio de qualquer natureza.

Seguiremos as investigações, Dom Lisbão. Seremos justos ao constatar qualquer irregularidade nas contas do acusado. Sr. Dimas Braga de Albuquerque tem sido um cidadão participativo na capitania, cedendo homens á armada, quando necessário em algumas incursões de combate a estrangeiros em nossas costas. – O tenente continuava expondo seus pontos de vista.

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